Cuidar do Meio Ambiente nas Cidades
PLANTAR ÁGUA - Um dos maiores problemas ambientais das cidades é a carência de um sistema de saneamento adequado, o que leva não apenas à morte e contaminação de ecossistemas inteiros, mas aumentam os casos de doenças por veiculação hídrica e a mortalidade infantil. Por isso, não dá para se pensar apenas no clássico sistema de coleta, transporte e tratamento, que exige grandes investimentos e concentra a poluição em emissários. É preciso pensar também em pequenos sistemas de fossa e filtro que as novas tecnologias têm tornado com eficiência de remoção de mais de 90% da poluição. O poder público poderia incentivar estes pequenos sistemas com abatimento na conta de água e esgoto proporcional à poluição que o sistema conseguisse remover. Deveria ainda ser estimulado a formação de Consórcios por usuários de água por micro-bacias, para a gestão dos recursos hídricos, para garantir investimentos na recuperação dos mananciais das cidades, leia-se, investir em reflorestamento e preservação das matas existentes, pois as árvores é que são as responsáveis pela existência das nascentes que abastecem os rios e lagos que são depois aproveitados para o abastecimento público.
RECICLAR, POR QUE LIXO NÃO EXISTE - O que chamamos de lixo é só matéria prima e recursos naturais misturados e fora do lugar. Por exemplo, se o Poder Público incentivar a Coleta Seletiva, poderá recuperar e devolver ao sistema produtivo toneladas de papel, plástico, metais, vidros, além de aumentar a vida útil dos atuais aterros. Os entulhos de obras que aterram margens de rios e entopem lixões podem ser moídos e se tornar em agregados para habitações populares. Os restos de comida, cascas de frutas e legumes, dão excelente adubo para hortas a serem feitas em regime de cooperativa nos terrenos vazios e abandonados das cidades, mas tudo isso só pode se tornar realidade se for coletado separado na origem. É ilusão pretender coletar tudo misturado e levar para uma milagrosa usina de reciclagem para ver o que pode ser aproveitado. O Poder Público pode estimular a formação de cooperativas de reciclagem o que, além de ajudar o meio ambiente, ajuda a gerar emprego e renda para os excluídos. Segundo o IBOPE (2006) quase a metade dos municípios brasileiros pesquisados (43%) utiliza-se de lixões no próprio município e 25% mantêm aterros controlados, também dentro do município.
ECOSSISTEMAS – Um dos maiores problemas ambientais das cidades, sem dúvida, é a destruição de seus ecossistemas. Além das queimadas, provocadas por balões ou pela queima do lixo não recolhido, a grande responsável pela destruição dos ecossistemas é mesmo a necessidade de moradia da população, de todas as classes sociais. Não há solução simples ou fácil neste caso, pois precisamos fortalecer as liberdades e a democracia, e não será com atitudes autoritárias como limitar o número de nascimentos ou controlar a entrada das pessoas às cidades que iremos conseguir isso. Assim, cada novo condomínio ou loteamento precisa obedecer as leis ambientais e oferecer medidas mitigadoras, compensatórias e reparadoras para os danos que venham a causar ao meio ambiente, exigindo os órgãos de licenciamento a publicidade obrigatória aos projetos aprovados para que a sociedade possa ajudar no controle e na fiscalização da execução. Os novos empreendimentos imobiliários também deverão demonstrar como lidarão com os trabalhadores que estarão atraindo, seja na fase de construção, seja a fase de operação. Como já ocorre, por exemplo, nos trabalhadores empregados na colheita da cana. O que não pode é a indústria imobiliária continuar achando que este não é um problema seu. Muitos desses trabalhadores não tem onde morar e acabam tendo de invadir áreas de preservação próximos dos condomínios de luxo criando ou aumentando as favelas. Os empreendimentos imobiliários deveriam ser obrigados a reservar um percentual de terreno, no próprio local onde irá construir, ou bem próximo dali, para a construção de moradias populares para seus trabalhadores.
POLUIÇÃO DO AR – boa parte da poluição do ar nos centros urbanos é provocada pelas emissões dos carros, ônibus e caminhões - e poluição do ar mata. No Brasil, 13 mil pessoas morrem todos os anos por problemas de saúde provocados pela poluição do ar urbano. A adoção de catalisadores, de índices de emissão mais rigorosos e a diminuição do enxofre no diesel ajudaram a minimizar o problema, mas não solucionam. Na Suíça, foi criada a Fundação Centavo Carbono, onde cada veículo ao abastecer paga um centavo por litro de combustível e estes recursos constituem um fundo para cuidar do Meio Ambiente, pois não é justo que a sociedade como um todo tenha de pagar pelos danos provocados pela parcela de 20% da população que possui carro. A prefeitura de Nova Iorque criou um fundo semelhante, mas através da cobrança de oito dólares dos automóveis que transitam no centro, uma forma criativa de desestimular o uso do automóvel nos centros urbanos, cada vez mais congestionados.
AMIGOS AMBIENTAIS – é ilusão achar que o poder público irá dar conta sozinho dos muitos problemas sócio-ambientais de nossas cidades. É preciso mobilizar a sociedade e estimular a cidadania participativa através dos fóruns próprios. As ONGs (Organizações Não Governamentais) Ambientalistas podem exercer papel fundamental, segundo a natureza institucional de cada uma. As ONGs ditas técnicas ou profissionais, podem ser parceiras do Poder Público e empresas obrigadas a cumprir medidas compensatórias, na elaboração de projetos ambientais. As ONGs ditas de combate podem ser aliadas na fiscalização das metas, prazos e efetividade dos projetos e exigências assumidas por empresas e em projetos do próprio Poder Público, como a implantação dos serviços de água e esgoto. Estimular o voluntariado ambiental nas cidades é apenas criar canais para que o sentimento de amor e o orgulho pelas cidades, que todo morador possui potencialmente, seja transformado em energia de criatividade e ações práticas pela melhoria do meio ambiente urbano.
Por Vilmar Sidnei Demamam Berna
Fonte: Portal do Meio Ambiente



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