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16.9.08

A Importância Ambiental das florestas para a Agropecuária

A primeira noção que se deve ter é que as áreas cultivadas pelo homem não estão isoladas do restante da natureza, havendo uma estreita relação de interdependência. A destruição ambiental de uma região pode trazer e com certeza traz, sérios prejuízos econômicos para o agricultor ou pecuarista, podendo até inviabilizar a atividade.

É preciso perceber que onde existem florestas próximas, o controle de pragas na agropecuária é mais facilitado. Isto acontece porque muitos animais que servem para controlar as pragas, como morcegos, tamanduás, tatus, pássaros insetívoros, vespas, etc., apesar de viverem nas florestas, saem das mesmas à procura de alimentos, indo comer justamente as pragas que se encontram nas lavouras ou criações mantidas pelo homem. Na verdade é um serviço gratuito que estes animais prestam ao ser humano e, apesar disso, são constantemente caçados e as florestas ao redor dos pastos e cultivos são destruídas.

Deve ser destacado ainda que havendo a destruição das florestas, muitas pragas podem surgir devido à falta dos inimigos naturais (os predadores). Assim é que em determinadas regiões do nosso País, algumas pombas e rolinhas passaram a ser consideradas pragas, pois os seus predadores, como os gaviões, corujas, cobras, etc., haviam sido eliminados.

A pior ameaça porém, está nos insetos, fungos e bactérias, já que são em muito maior número e mais difíceis de controlar. Estes animais são especializados em se alimentar de determinada planta na floresta. Quando a mata é destruída, muitos desses animais morrem e outros que sobrevivem procuram comer o que encontram pela frente, vindo a atacar as plantações e pastos feitos pelo homem. Com isso o agricultor ou fazendeiro terá que gastar muito dinheiro comprando agrotóxicos das empresas multinacionais que dominam o mercado e, como conseqüência, poluem os rios e lençóis freáticos, causando, por fim, intoxicação nos próprios trabalhadores rurais que, normalmente, não sabem manusear os agrotóxicos.

Finalmente, a floresta também é importante para a produtividade de um cultivo, pois inúmeras plantas necessitam dos insetos ou de animais para a sua reprodução (polinização) ou para a distribuição das sementes. É o que acontece, por exemplo, com a castanheira do Pará, cujas sementes são espalhadas por pacas, cotias, esquilos, macacos pregos e outros animais que levam as sementes para um local distante da árvore para comer, chegando a enterrar algumas para a alimentação em outro dia e, quando esquecem de desenterrar, provocam o nascimento de novas árvores. Dessa forma, numa região onde não haja animais ou insetos em abundância, a produtividade dos cultivos fica prejudicada e muitas árvores das florestas são condenadas à extinção.

Julimar Barreto Ferreira *

Referência bibliográfica:

Cartilha: Campanha de Valorização das Reservas Legais e Matas Ciliares – Como usar, sem destruir, as reservas legais e matas ciliares. RIBEIRO, João Alberto. 2ª edição. Porto Velho, Rondônia – Setembro de 2001. 41p.

* Julimar Barreto Ferreira é Promotor de Justiça, especialista em Desenvolvimento Regional Sustentável e membro fundador do Gana. 

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IMA e Uneb se unem para proteger cerrado

O Instituto do Meio Ambiente (IMA), em parceria com a Universidade do Estado da Bahia, inaugura, na segunda-feira (8), o Laboratório de Sementes Nativas e reinaugura o Herbário do Campus 9, ambos na Uneb de Barreiras, a 873 quilômetros de Salvador.

O bioma cerrado é formado por um rico ecossistema e ocorre em regiões heterogêneas, sendo que sua maior concentração está no centro-oeste do país. Depois da Mata Atlântica, o cerrado é o bioma brasileiro mais alterado pela ocupação humana.

Assim como em outras regiões, o oeste baiano vem passando por acelerado processo de ocupação, com instalação de grandes empreendimentos agropecuários, impulsionados a partir da década de 80.

Para minimizar impactos ocorridos ao longo dos anos e promover o reconhecimento e a sustentabilidade dos recursos naturais do cerrado baiano, o IMA, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente (Sema), criou a Base Cerrado que, por meio de convênio com a Uneb, apóia o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à proteção do meio ambiente no bioma e está possibilitando a inauguração do laboratório e a reinauguração do herbário.

O Laboratório de Sementes, que já possuía uma estrutura de viveiro, produziu 53 mil mudas utilizadas em sistemas de revegetação de áreas pré-determinadas, como a mata ciliar do Rio Grande - um dos principais afluentes do Rio São Francisco - áreas destinadas à reserva legal, áreas de exploração da mineradora e a mata da Serra do Mimo, localizada próximo à Uneb de Barreiras.

Além do fomento na recuperação de áreas e arborização urbana, o laboratório vem conduzindo experimentos que têm contribuído para o conhecimento técnico-científico e para o estabelecimento de métodos adequados de superação de dormência e armazenamento de sementes de diversas espécies nativas.

Já o Herbário do Campus 9 tem como objetivo principal, o conhecimento da composição da flora em diferentes fisionomias do cerrado. Desde a sua implantação, o herbário vem contribuindo para o reconhecimento da vegetação local, além de estimular o estudo da botânica, subsidiar pesquisas científicas ou populares, sobre a flora da região – por se constituir num banco de informações que devem ser disponibilizadas à sociedade -, divulgar técnicas utilizadas no estudo científico da botânica e fornecer material para estudo prático em escolas secundaristas.

Fonte: Agecom
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