Grupo Ambientalista Nascentes

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     Segundo Lima (2003), dos 1,3 bilhões de quilômetros cúbicos de água no planeta, somente 2,5% é doce. Desse total, 68,9% encontra-se congelada nas calotas polares, 29,9% em aqüíferos, 0,9% na atmosfera na forma de vapor de água e apenas 0,3% está disponível nos rios, lagos e reservatórios superficiais acessíveis ao homem. Sua distribuição geográfica e sazonal é muito irregular no mundo e inclusive no Brasil, onde sua disponibilidade média é de 455.000 m3/hab/ano na Bacia do Amazonas e 7.500 m3/hab/ano na Bacia do São Francisco. Na Bahia, sua disponibilidade é de apenas 2.872 m3/hab/ano, o que caracteriza uma quantidade muito pequena para tanto descaso. 

     Quando se pensa apenas na água potável, esses valores tornam-se ainda menores e criam expectativas ruins de futuro. Segundo Lima (2003, p.391), “1/4 da água doce do planeta logo estará poluída demais para ser consumida”, o que tornará mais cara e difícil a obtenção deste recurso pelos cidadãos mais pobres. No Brasil, especificamente, segundo a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) citada pela CNBB (2003), 20% da população não tem acesso à água potável, 40% da água das torneiras não tem potabilidade confiável, 50% das casas não têm coleta de esgoto e 80% do esgoto coletado é lançado diretamente nos rios sem tratamento algum.

     Estas estimativas derrubam a falsa aparência de que a água é um recurso inesgotável e evidenciam o fato de que mesmo sendo renovável, pode se tornar indisponível ao uso humano devido à poluição e à contaminação (transformações de seu estado original). Ao desperdiçar a água potável, a humanidade diminui paulatinamente a reserva natural desse recurso e, ao devolvê-la poluída e/ou contaminada, o homem dificulta sua purificação natural através do ciclo da água na biosfera e encarece muito seu tratamento artificial nas estações de tratamento químico da água e do esgoto.

     Além de não cuidar desse bem precioso, o homem o usa abundantemente e, quase sempre, abusa e desperdiça água. Da água consumida no mundo (impossível de real previsão), 73% é usada na agricultura em grandes áreas irrigadas e pequenas propriedades agropastoris, em torno de 17% é usada na indústria e os 10% restantes fazem parte do uso doméstico. (CORSON, 1996). A água é também um fator essencial de desenvolvimento econômico e social já que participa de muitos processos produtivos e de atividades essenciais à economia mundial como a agricultura. Assim não é o não uso, mas sim o uso sustentável e parcimonioso da água que deve ser difundido na sociedade humana atual.

                                                                           Márcia Gonçalves Bezerra *

BIBLIOGRAFIA

CNBB, Fraternidade e Água: Texto-Base CF-2004, São Paulo: Editora Salesiano, 2003.
CORSON, W.H. Manual Global de Ecologia: O que Você Pode Fazer a Respeito da Crise do Meio Ambiente. 2ª ed. Brasileira, São Paulo: AUGUSTUS, 1996.

LIMA, O.A.L. Geossistemas e Recursos Hídricos: Água Subterrâneas no Estado da Bahia. IN: Bahia Análise e Dados, v.3, n.especial, 2003, p.391-402.

* Márcia Gonçalves Bezerra é Licenciada em Biologia, Especialista em Gestão Ambiental e Mestra em Desenvolvimento Regional. Atua como professora da Rede Estadual de Ensino Básico da Bahia e da Faculdade de Ciências Educacionais (FACE). É membro atuante do GANA atuando, em especial, na produção de projetos.
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